
Descrição
A Teologia Própria como doutrina de Deus Pai constitui um estudo sistemático de um dos núcleos fundamentais da fé cristã: o conhecimento de Deus. Toda construção teológica começa, explícita ou implicitamente, com uma determinada compreensão de quem é Deus, como se revela, quais são seus atributos, como se relaciona com a criação e de que maneira sua identidade como Pai ilumina a história da salvação. Por isso, falar de Deus não representa simplesmente mais um capítulo dentro da teologia sistemática; significa abordar o fundamento sobre o qual repousam as demais doutrinas cristãs. A expressão teologia própria, tradicionalmente utilizada dentro da teologia sistemática, designa especificamente o estudo de Deus: sua existência, conhecimento, revelação, ser, nomes, atributos, vontade e obras. Embora mantenha uma relação inseparável com a doutrina da Trindade, a cristologia e a pneumatologia, possui um objeto particular: compreender, até onde a revelação bíblica o permite, quem é Deus e o que significa confessá-lo como Senhor, Criador e Pai. A obra começa reconhecendo uma limitação epistemológica fundamental: Deus não pode converter-se em objeto de conhecimento da mesma maneira que uma realidade criada. O ser humano não possui capacidade autônoma para abarcar exaustivamente o mistério divino. Se conhecemos verdadeiramente algo acerca de Deus é porque Deus decidiu dar-se a conhecer. A teologia cristã começa, portanto, não com a capacidade humana de alcançar Deus, mas com a iniciativa divina de revelar-se. Deus se dá a conhecer, e a teologia responde a essa revelação. Essa afirmação estabelece o ponto de partida metodológico da obra. A criação permite reconhecer manifestações do poder, da sabedoria e da grandeza de Deus, enquanto a revelação especial proporciona o marco decisivo para conhecer sua vontade e sua ação redentora. A Escritura ocupa, consequentemente, um lugar normativo na elaboração da doutrina cristã de Deus. A pergunta pela existência de Deus acompanhou a humanidade através de diferentes culturas e períodos históricos. Filosofia, religião e teologia desenvolveram argumentos cosmológicos, teleológicos, ontológicos e morais, entre outros, para refletir racionalmente sobre a existência divina. Teologia Própria examina o valor dessas aproximações sem confundi-las com a revelação bíblica. Os argumentos racionais podem contribuir para a discussão filosófica acerca de Deus, mas a identidade do Deus confessado pela fé cristã não deriva simplesmente de uma dedução metafísica. É o Deus que se revela e age na história. Dessa maneira, o livro avança da pergunta DEUS EXISTE? Para uma questão ainda mais profunda: QUEM É DEUS? A Escritura apresenta Deus mediante nomes, ações, atributos, relações, promessas e atos históricos. Deus cria, chama, fala, julga, liberta, sustenta, perdoa, estabelece pacto e conduz a história para seus propósitos. A doutrina de Deus não pode ser reduzida, portanto, a uma coleção de conceitos abstratos. O Deus bíblico é conhecido também mediante suas obras. Um dos grandes eixos da pesquisa corresponde aos atributos divinos. Santidade, amor, justiça, misericórdia, bondade, verdade, fidelidade, sabedoria, onipotência, onisciência, onipresença, eternidade, imutabilidade e soberania permitem expressar diferentes dimensões daquilo que a revelação comunica acerca de Deus. No entanto, esses atributos não devem ser imaginados como fragmentos independentes que, somados, constituiriam Deus. A doutrina clássica insiste em que Deus é um e em que suas perfeições pertencem inseparavelmente a seu ser. Essa consideração é especialmente importante quando se relacionam amor e justiça. Não existe um Deus amoroso contraposto a um Deus justo. Tampouco se pode utilizar a santidade para negar a misericórdia nem a misericórdia para eliminar a justiça. Deus é santo em seu amor, justo em sua misericórdia, verdadeiro em sua graça e fiel em todas as suas obras. A santidade de Deus ocupa um lugar decisivo. Deus é absolutamente distinto de tudo aquilo que pertence à ordem criada e moralmente perfeito. A experiência bíblica do encontro com a santidade divina revela simultaneamente a grandeza de Deus e a condição limitada e pecadora do ser humano. A doutrina de Deus conduz assim inevitavelmente à antropologia e à hamartiologia: compreender quem é Deus modifica nossa compreensão de quem somos nós. Junto com a santidade aparece o amor. A revelação cristã não apresenta o amor simplesmente como uma ação ocasional de Deus, mas como uma realidade inseparável de seu caráter. Esse amor se expressa em criação, paciência, providência, pacto, misericórdia e, de maneira culminante para a fé cristã, na obra redentora realizada em Cristo. Precisamente aqui a doutrina de Deus Pai adquire sua profundidade especificamente cristã. Chamar Deus de Pai não constitui simplesmente uma metáfora afetiva nem uma projeção da experiência familiar humana sobre a divindade. A paternidade divina deve ser compreendida a partir da revelação bíblica e, especialmente, dentro da relação eterna entre o Pai e o Filho. Jesus Cristo introduz o crente em uma compreensão profundamente relacional de Deus. O Pai envia o Filho; o Filho revela o Pai; e mediante a obra do Espírito os crentes são incorporados a uma relação filial com Deus. Por essa razão, a doutrina do Pai não pode ser isolada da Trindade…
Categoria
- RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE
- CRISTIANISMO
- TEOLOGIA CRISTÃ
- TEOLOGIA SISTEMÁTICA
- TEOLOGIA DOGMÁTICA
- TEOLOGIA PRÓPRIA
- DOUTRINA DE DEUS
- NATUREZA E ESSÊNCIA DIVINA
- ATRIBUTOS DE DEUS
- REVELAÇÃO DIVINA
- TRINDADE
- SOBERANIA E PROVIDÊNCIA DE DEUS
Direitos deste livro
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Ficha técnica
- Título
- Teología propia
- Autor
- G. Oliva C.
- Selo editorial
- Grupo Editorial casa Hispana
- Medidas
- 15x23cms
- Edição
- 1ª edição, 2025
- Editado em
- Chile
- Ano de publicação
- 2025
- Idiomas disponíveis
- Espanhol, Inglês, Alemão, Português
- Encadernação
- Brochura com orelhas
- Páginas
- 467





